10 julho, 2015

Um dia...

diary beach

"Um dia, o mais provável é tornares-te num chato, deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério. Nesse dia vais começar a vestir cinzento e bege, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído, economicamente consciente. Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos ao relento. É oficial, vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos e vais esquecer-te como se faz um quantos-queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio rosto. Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque "vai-se andando" e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podes, que não deves, que tens vergonha. Vais ser mais triste. Quando esse dia chegar...não lhe fales."

Lembram-se da publicidade da Sumol que há uns anos atrás nos deixou a pensar que não podíamos deixar a nossa vida fluir pelos caminhos errados, que não queríamos nunca esquecermo-nos de como é bom viver sem preocupações, sem horários, sem despesas no fim dos mês? Hoje, os meus amigos já trabalham, outros já vivem sozinhos e fazem compras no Pingo Doce ao sábado à tarde. Eu controlo os meus horários de convívio porque tenho de voltar para casa, postar no blog, fazer a minha rotina de exercício físico e jantar a horas decentes e não, não estou a falar do tempo de aulas. O rigor da faculdade penetrou no meu cérebro e torna-se difícil para mim estar em casa sem regras e prazos a cumprir. Nem nos meses em que o estudo pede férias consigo desligar-me o suficiente para que a descontracção me invada e me impeça de querer ir para a cama até à meia-noite. Não me sinto com os 20 anos que em breve vou fazer mas sei que o meu cérebro já se formatou para uma idade que me incomoda - tanto pelo número como pela responsabilidade que isso parece trazer e que eu própria criei. Não faz sentido, não posso continuar a ser escrava de horários que ninguém me impõe, a comportar-me de forma politicamente correcta para agradar quem não me controla. Quero continuar sem limites enquanto posso, ficar na praia até escurecer, sair de madrugada para um volta de bicicleta ou tomar o pequeno almoço às 20h. Não quero passar o resto dos meus anos livres a preparar-me para os anos em que estarei presa a uma rotina imposta. E quando esse dia chegar, não lhe vou falar.
saudável até ao verão
nesjgd-horz

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