20 janeiro, 2015

Instagram, Youtube e nenhuma originalidade

instagram


A internet foi, desde que eu me lembro de ela existir acessível ao comum ser humano, um espaço onde pessoas que não se identificavam com o que existia no mundo exterior se juntavam e partilhavam ideias, histórias, conteúdos. Uma plataforma capaz de reunir todas as formas de arte imagináveis, que albergava aquilo que não era apreciado pela maioria da população e por isso não valia a pena ser mostrado publicamente. Eu gostava dessa internet, passava horas a viajar nela, a impulsionar a minha criatividade, a conhecer o mundo em todas as suas formas bem como pessoas com diferentes formas de vida ou pontos de vista e a tomar contacto com o que não me era acessível no dia-a-dia. Mas o que a internet representa agora está demasiado distante do que um dia foi.

A internet não passa de uma extensão da realidade que já conhecemos, uma porta para o mundo íntimo de cada um, para os pormenores a que não podemos aceder pelo simples e casual convívio com alguém. Um reality show, basicamente. Dou a mão à palmatória porque sou uma das responsáveis por esta tendência: os vlogs a documentar os meus dias, as fotos constantes no instagram a retratar o que como, o que visto, o que vejo, são prova disso.
O que começou por ser a partilha da originalidade e do pouco comum, tornou-se a exposição exaustiva cada vez mais acessível a todos da vida casual e ordinária, o que não é necessariamente mau: todos passámos a ser aceites como possíveis colaboradores para este mundo da internet. O que é, para mim, mau é a perda de vontade de fazer algo novo.
Sempre que tento fugir ao mais usual e criar um vídeo com o meu típico conteúdo mas num formato ligeiramente diferente do habitual sou bombardeada por dislikes. Normalmente, ao que me parece, vêm de pessoas novas pelo meu canal que não ficam contentes com um vídeo diferente daquilo que procuravam, um típico tutorial com um voice-over aborrecido. Isso desmotiva-me, saber que passei mais tempo a planear, arranjar ângulos, fazer cenários e editar para acabar a perceber que metade das pessoas preferiam que me tivesse sentado em frente da câmara a fazer aquilo que faria se ela não lá estivesse.
Mesmo que o resultado não seja tão bom, merecia algum crédito pela tentativa de originalidade.
Tenho pena que a internet se tenha tornado neste amontoado de extensões à vida em vez de um espaço que promove a criatividade e a extensão à mente mas isso não me vai impedir de, cada vez mais, investir em conteúdos mais criativos e pouco comuns.

nesjgd-horz

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