23 maio, 2014

Dura praxis, sed praxis (Praxe Académica)

praxe-horz

Hoje o post vai ser diferente, um tema nunca antes abordado mas que me senti tentada a explorar. Alguns dos meus seguidores devem saber que iniciei este ano a minha vida académica, no (belíssimo) curso de Bioquímica numa gloriosa faculdade onde a praxe é adorada e vivida uma vez por semana, todas as semanas, durante todo o ano até ao traçar da capa.
A minha grande cerimónia foi ontem (como podem ver no meu Instagram) na qual deixei para trás o meu nome de caloira e pude traçar pela primeira vez a minha capa negra. 
Eu escolhi fazer parte desta tradição inicialmente por curiosidade, vontade de saber verdadeiramente o que era a praxe e não poderia estar mais feliz com a minha escolha. Sei que a praxe há já algum tempo anda nas bocas do mundo pelas piores razões resultado de infelizes acidentes e que o efeito causado nas pessoas pode levar a que muitos fujam de uma tradição centenária e por vezes mal interpretada. A praxe está longe de ser aquilo que têm feito dela, o monstro ladrão de vidas como ultimamente tem sido conhecida.
A praxe não se explica, sente-se e só experimentando poderão saber o que realmente significa ser praxado. Não sei descrever melhor a praxe do que como uma aprendizagem para a vida:
É na praxe que vão aprender a ficar calados quando uma autoridade vos grita aos ouvidos, que vão aprender a acatar ordens sem reclamação, sem má cara.
É na praxe que vão aprender a lidar com a pressão e desenrascarem-se, a serem criativos na resolução dos vossos desafios. 
É na praxe que vão aprender que as vossas ações também vão cair sobre os outros, sejam elas boas ou más, que vão aprender a ser solidários com quem passa pelo mesmo que vocês, que vão aprender o que é companheirismo, entreajuda, amizade verdadeira.
Agora pensem em tudo o que leram, acham que podem aplicar isso na vossa vida? Acham que vos vai ser últil? Eu acho e se vocês acharem o mesmo, a praxe é o sítio onde vão lidar com um protótipo de vida real com a vantagem de que os erros são pagos em flexões. É o vosso treino para o futuro, porque ninguém nasce ensinado e cair de para-quedas na vida real não vos vai ajudar a serem melhores profissionais, melhores pessoas. Olhem para a praxe como uma dor que será recompensada no fim do curso quando virem o quão mais fácil é enfrentar o mundo quando já tivemos uma amostra do que está nele.
E se isso não chegar, saibam que é na praxe que vão conhecer as pessoas que vos vão acompanhar no vosso percurso académico, quer sejam caloiros, quer sejam os vossos padrinhos e veteranos. É na praxe que vão poder escolher a vossa segunda família que vai estar do vosso lado para vos apoiar e ajudar enquanto estudantes.
A praxe não é um sofrimento, a praxe é dura, mas é praxe. A praxe é divertida quando bem feita, quando levada com desportivismo e respeito. Respeito é a palavra chave da praxe. Respeito é algo que nunca faltará numa praxe.
Conselho de amiga: experimentem. Experimentem uma, duas vezes e se gostarem comprometam-se com ela. O orgulho na última noite vai valer mais do que as horas que passaram a gritar pelo vosso curso ou a ouvir os gritos dos vossos veteranos.

nesjgd-horz

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